Segunda-feira, Junho 08, 2009

olá!


este costumava ser o meu blog. muita gente ainda entra aqui buscando um pouco mais sobre o meu trabalho. por isso, decidi colocar uns links para os grandes hits:


sashimi (fevereiro de 2006)

na banheira com gertrude stein (julho de 2005)

o que passou pela cabeça do violinista (junho de 2005)

um fusca (agosto de 2004)


todos os poemas foram escritos diretamente no blog, exceto o do violinista, e fazem parte do meu primeiro livro, "rilke shake", lançado pelas editoras cosacnaify e 7 letras em março de 2007.

há mais algumas informações sobre mim aqui.


obrigada pela visita.

Sexta-feira, Abril 03, 2009

tome uma xícara de chá (2002-2009)

queridos amigos, leitores e curiosos, este blog termina aqui. creio haver cumprido minha missão, pois nele plantei uma árvore (uma bananeira que dá banana), tive um filho (ou vários, no sentido figurado) e escrevi um livro. obrigada pela preferência: ao longo de 7 anos, senti-me tão bem-sucedida quanto uma padaria 24 horas em zona nobre de são paulo. desejo-lhes muita alegria e sorte pelas sendas virtuais. e que o chá lhes seja servido sempre quente.

um abraço,

angélica freitas


atualização - 6/4

don't get me wrong - eu adoro a internet. adoro ficar pulando de página em página feito um sagüi com pimenta na ampola retal. é um chicletinho cósmico, a internet. mas todo mundo sabe a verdade sobre o chicletinho: vicia. o governo paulista já está estudando lugares livres de chicletinho. só mais um pouquinho: e lá se foi a manhã. que não voltará jamais! a manhã também tem pimenta no rabo, malagueta, a manhã tem o cu em chamas, pegar carona nessa cauda de cometa!

se sair do orkut e do facebook é 1/2 um suicídio, deixar de ter um blog e de ler blogs é 3/4 sair da cidade grande para ir morar no campo. creiam-me. oh, já ouço o gritar dos quero-queros! eu quero-quero uma casa no campo!

beijos e abraços, sejam felizes,
angélica 

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Terça-feira, Março 31, 2009

a bíblia de crumb

leio no guardian que o robert crumb vai publicar uma sátira do gênesis, o primeiro livro da bíblia, não aquela banda do phil collins. que coincidência: esses dias andei pensando que tem material de comédia ali. o que dizer do primeiro "não fui eu, paiê, foi ela!" da história da humanidade? quando eva ofereceu uma mordidinha do fruto da árvore do conhecimento ao adão, ele comeu numa boa, sem pestanejar (mas quem come pestanejando?). o efeito imediato foi que eles se deram conta de que estavam pelados, e tiveram que fazer umas tanguinhas com folhas de figueira. ou seja: o primeiro biquíni da humanidade. a primeira sunga. daí chega deus e os dois se escondem. 

deus: adão! que história é essa de se esconder?
adão: é que a gente tava pelado e...
deus: pelado? como você sabe que está pelado?
adão: ....
deus: você comeu o que eu disse que não era pra comer, adão?
adão: foi ela, paiê, foi a eva, a eva que me deu e eu comi porque ela me deu, foi a eva! buááá!
deus: evaaa? o que eu te disse?
eva: que não era pra comer o fruto da árvore do conhecimento?
deus: então?
eva: ué, mas a serpente disse que podia...
deus: ah, a serpente, é?
eva: ué, ela disse que tudo bem...
deus: arrã, e se ela diz pra você pular do décimo andar você pula?
eva: ....

o resto da história vocês sabem: diferenças salariais, técnicas de parto indolor, o instituto butantã.

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Sexta-feira, Março 27, 2009

exercitar a observação

uma das coisas mais legais sobre escrever poesia, pra mim, é poder exercitar a observação. estamos no piloto automático quase sempre. nem registramos o que acontece ao nosso redor. escrever um poema nos traz para o momento.  

quando você se dispõe a observar, quase tudo merece o registro.

ontem vi dois namorados se abraçando na frente de uma farmácia. e me deu uma coisa! escrevi:

dois namorados
se abraçam
em frente à farmácia

gostei desse s que se repete: namorados, abraçam, farmácia. e o m também, agora me dou conta.

uma vez estava no laranjal tomando um mate. um carismático pássaro amarelo pousou no sinuoso galho de uma sensual árvore nativa. admirei-o. ó. 

o que o pássaro fez? o pássaro fez cocô. 

cascudo cósmico na cachola. não escrevi nada. como se diria em sp: emocionei.

ontem fui ao parque munida de um caderno, disposta não a escrever poemas, mas a registrar o que via. humildemente. como exercício.

não há ideias senão nas coisas, disse o william carlos williams.

o williams também disse que tanto dependia do carrinho de mão vermelho e das galinhas brancas, lembra? afinal, o que depende disso? 

poesia depende de poder enxergar isso. é o que penso.

mando minhas observações de ontem. e mando também abraços.


bahía blanca
um biguá nada sozinho
no lago

*

bate as asas
sob a bandeira argentina
toma sol
debaixo dela

*

as caturritas têm
um pedaço de plástico
solto na garganta

*

no fim do lago
os patos se espalham
feito óleo


(obs: minha mente avistou a bola rolando e veio correndo para brincar junto.)

*

o biguá
nada no lago
e faz barulho

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Quarta-feira, Março 25, 2009

uma canção para o útero



sempre quis escrever um texto para minha amiga janaína kremer, atriz gaúcha que atuou em vários filmes (meu tio matou um cara, era uma vez dois verões, ainda orangotangos, cão sem dono, pra ficar em 4). esses tempos, confessei essa vontade para ela. a janaína adorou a idéia. então resolvi mandar, em primeira mão, um poema longo que estava escrevendo e que se chamava "uma canção para o útero". é o poema mais longo que escrevi, e talvez o mais complicado. enviei o poema esperando uma recusa, esperando que ela me perguntasse se eu estava maluca ou coisa parecida. mas ela gostou muito. a janaína chamou a letícia bertagna, que estuda artes lá em porto alegre, para criar um vídeo inspirado no texto. elas apresentaram o vídeo semana passada no pecha kucha night, em porto alegre. o poema é longo e ainda o considero em construção, portanto não o vou mostrar aqui. o plano é publicá-lo no meu próximo livro, que deve sair em 2011. nesse meio tempo, espero trabalhar de novo com a letícia e a janaína. // quanto a inéditos, deve sair uma série de poemas meus na próxima (e provavelmente derradeira) inimigo rumor. a última série que publiquei, em 2007, está na revista modo de usar e se chama "o livro rosa do coração dos trouxas". são dez poemas. se tudo der certo, este ano deveremos ver uma edição argentina do "rilke shake". falando em argentina, participo de uma antologia que saiu faz pouco, "el libro de los gatos", da editora bajo la luna.// e vou indo, cada vez mais devagar & sem saber aonde (alguém sabe de verdade aonde vai?), e cada vez mais convencida de que está bom assim. 

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Sexta-feira, Março 20, 2009

voltar para casa depois de horas na rua, em busca de uma experiência esplêndida
inchando com ar o tórax, voraz com o ar no tórax, vivendo o momento
com as solas bem sujas no solo, com as solas bem pegadas ao pavimento
aleluia, porque eles querem minha cabeça baixa, me querem
comprando num shopping
procurando as últimas revistas

quem poderia caminhar assim na rua tão solta
com a cabeça cheia de zurrilhos

sentir a chuva no encalço
os pulmões cheios
querendo somente uma experiência esplêndida, voltar com ela pra casa
escrever um poema

escrever
escrever

escrever o quê, com a cabeça cheia de cenouras
de ceroulas de senhoras de cebolas de centímetros
de drummond



*

um ano mais tarde:

virar a chave na porta, deixar em cima da mesa
como três patos mortos a idéia do poema
repetir quantas vezes necessário
voltar pra rua até que aprenda


*

"você deve estar brincando", ela disse
e ela no espelho era eu
"se eu fosse verdade", eu disse,
"eu, eu, eu"

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Quinta-feira, Março 19, 2009

para quem está em são paulo


20 de março a 21 de abril

de terça a sexta, das 10h às 21h30; sábados e domingos, das 10h às 18h30

Ana Maria Tavares, Fabio Lopez, Fabio Morais, Felipe Barbosa, Jorge Macchi, Laerte Ramos, Pazé e Pedro Di Pietro.

SESC Vila Mariana
Rua Pelotas, 141 - Fone: 5080-3000
De terça a sexta, das 9h às 21h30
Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h30

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